Qual a melhor altura do ano para visitar o Parque Nacional Peneda-Gerês?
Esta talvez seja uma pergunta para 1 milhão de euros.
Devido à sua imensidão o parque é detentor de uma enorme diversidade, seja ela em termos de fauna e flora ou em termos geológicos e geográficos.
Por esta razão, a conclusão mais pertinente talvez seja de que o parque carrega magia em qualquer parte do ano, dependendo a sua contemplação da preferência de cada um.
Fãs do parque como somos em qualquer das partes do ano, deixamos para si uma ideia do que pode encontrar em cada uma delas, para que saiba com o que que contar quando lá chegar.

Primavera
Comecemos então pela altura do ano em que tudo renasce do frio gélido sentido no Inverno, falamos claro está, da nossa querida Primavera.
Com a sua chegada, o manto verde tão característico do parque, vai de dia para dia tornando-se maior e maior, as árvores, muitas delas desprovidas de folhas desde o final do Outono, começam por ter pequenos pontos verdes nos ramos, pequenas folhas em formação, mais junto ao chão arbustos como o tojo, a giesta e carqueja recuperam as suas bonitas flores amarelas, que até que o Outono as leve.
Vão cobrindo as colinas menos arborizadas do parque num tom de amarelo impressionante que alimenta as inúmeras colónias de abelhas que produzem o famoso mel do Gerês e que à parte do mel tem um papel fulcral da disseminação de pólens na região.
A próxima cor a surgir será o púrpura da urze e dos lírios do gerês que assim vão pintando este quadro, mas como um quadro não são apenas cores bonitas, é nesta altura que as fêmeas do cavalo selvagem Garrano, que durante todo o Inverno fizeram a sua gestação dão à luz os seus pequenos potros, que saem da barriga das mães já cheios de força e vontade de descobrir o maravilhoso mundo que é o parque nacional.
É também nesta altura do ano que os campos agrícolas se enchem das gentes da terra que começam a preparar as colheitas do ano, por estes lados planta-se um pouco de tudo, couves, cenouras, tomates, cebolas, alhos, podam-se as árvores para que ganhem força e produzam frutos maiores, mais ricos e saborosos. Os pastores aos poucos vão conduzindo os seus rebanhos para as pastagens que começam a ficar viçosas.
Não devem ser esquecidas as bonitas cascatas, que nesta altura devido à diminuição das chuvas começam a ficar com menos caudal e mais acessíveis para quem as quer visitar, no entanto os banhos terão que ficar para mais tarde, já que a temperatura da água que vem do topo das montanhas passando pelas gélidas rochas graníticas, não é suportável para quem quer ter um prazeroso banho nas suas águas.
Ainda no nosso entender é também nesta altura em que as melhores caminhadas no parque podem ser feitas, as temperaturas são amenas, a imensa vegetação providência sombra suficiente para os dias de maior calor permitindo assim fazerem-se caminhadas inacreditáveis, acredite nós já fizemos imensas e nunca nos cansamos de as repetir.
Este é um pequeno vislumbre da Primavera no Parque Nacional, onde uma explosão de cores e vida acontece nesta fase do ano.

Verão
Bem-vindos ao Verão no Parque Nacional do Gerês.
Por estas terras simboliza a altura do ano onde as plantações feitas na Primavera começam a dar os seus primeiros frutos, colhem-se os primeiros legumes, como as cebolas, as alfaces, as couves e até as primeiras batatas.
É também a altura do ano em que as árvores de fruto se carregam de fruta fresca e 100% natural, pois por estas terras o uso de pesticidas nunca é uma hipótese muito bem vista, tudo demora o seu tempo a crescer e deve crescer ao natural, acreditam muitos dos que aqui vivem, começam a aparecer laranjas, limões, nêsperas e os medronhos começam a dar o ar da sua graça também, às cores das folhas e flores, juntam-se agora as cores do frutos.
Nesta época do ano os pastores começam uma tradição sazonal, chamada de “Vezeira”, que consiste numa atividade comunitária em que uma pessoa é responsável por levar todo o gado da aldeia para as pastagens nas montanhas, sendo no dia seguinte substituído por um outro, permitindo assim que o resto da aldeia se concentre nas atividades agrícolas ou comerciais, essenciais ao bom funcionamento das aldeias.
Com o calor a banhar o parque as alcateias de lobos tornam-se mais ativas pois existem novos lobitos para alimentar e acreditem esses ainda pequenos animais têm um apetite insaciável, levando os lobos por vezes a atacar rebanhos que pelas montanhas andem, apesar de não ser prática comum, animais selvagens nunca deixam de o ser.
No Verão o parque tem a sua maior afluência de pessoas, mas nunca se tornando demasiado cheio ou desconfortável, deve-se este facto a ainda não ter sofrido grande divulgação além fronteiras, o que manteve o seu estatuto de tesouro por descobrir.
Quem por cá passa entre caminhadas e vistas, procura sempre dar um belo mergulho e estamos na altura certa, com as altas temperaturas do Verão a água gélida das cascatas atinge uma temperatura bem prazerosa, onde tendo sempre as devidas precauções, como calçado confortável com uma boa sola, roupa adequada a caminha e muita prudência no acesso ás cascatas pois são sítios onde acidentes podem acontecer, pode passar um belo dia com mergulhos, banhos de sol ou só a ouvir a música das águas que pelas encostas descem, mas lembre-se sempre o parque é como um santuário para a biodiversidade, deve ser sempre respeitado como tal, cuidando dele cuidamos de nós
Este é o Verão, quente, refrescante e cheio de vida!

Outono
Esta é altura do ano em que mais se nota o desvanecer dos verdes e das cores das flores, o que de certa maneira pode parecer desmotivante para quem não conhece e lá quer ir, mas não se deixe levar pela capa, pois o livro que é este parque tem muito para se ler.
O parque transforma-se por completo, começam por surgir os primeiros tons de castanho, os alaranjados, os amarelos torrados na vegetação, que acalentam a já fria paisagem, os frutos secos da região ficam prontos para a colheita, como por exemplo as nozes ou as amêndoas.
E com frio a chegar, é chegada a hora de proteger os rebanhos dos elementos, é aqui que termina a atividade sazonal das “Vezeiras”, tendo os pastores de fazer regressar todos os rebanhos e manadas que passaram todo o verão a alimentar-se nos prados das montanhas e é neste retorno que caso tenha oportunidade poderá ver pela primeira vez os ainda tímidos vitelos que se fazem acompanhar das suas mães as pujantes vacas barrosãs, mais extrovertidos vêm os cabritos, cheios de personalidade e energia.
Com o anunciar do Outono colhe-se o milho e começam os preparativos para a famosa broa de milho, cuja a receita é sabida de trás para a frente pelos mais antigos. Colhem-se também as uvas, que apesar de dentro do parque não existirem em abundância, são muito requisitadas para fazer o Vinho Verde, típico da região.
Apesar do verde se apagar um pouco nem por isso desaparece, as inúmeras árvores de folha perene do parque como os cedros e os pinheiros, mantêm o parque verde em todas as direções.
O Outono é sinónimo de aumento da humidade no parque, fator essencial ao crescimento das diversas espécie de cogumelos da região, nas mais diversas cores, tanto que em certas áreas o chão parece por vezes um arco-íris, bonitos ao olhar, mas sempre longe das mãos pois a maioria é venenosa e devemos ter as devidas precauções. Os medronheiros abundantes em toda a área do parque dão também o ar da sua graça com cores próprias do época e um sabor com mistura de cítrico e doce, um bom snack se por um passar.
Com o descer das temperaturas o nevoeiro já tão próprio do clima do parque começa a reclamá-lo para si, escondendo da nossa vista longas distâncias e vistas incríveis, no entanto em tudo existe beleza, o nevoeiro dá ao parque um aspecto misterioso, tanto que em certos pontos é como estar numa floresta encantada de onde no meio do nevoeiro alguma criatura mística pode sair.
Não é assim tão mau um pouco deste clima de Outono, não acham?

Inverno
Engane-se quem pensar que o Inverno é impeditivo de aproveitar este belo parque.
Como conhecedores que somos, vamos à verdade da questão… não é para todos os gostos o Inverno deste local… a humidade é imensa, as chuvas são constantes e o frio marca bem a sua presença.
As atividades humanas diminuem drasticamente nesta altura, os locais focam-se na alimentação dos animais já resguardados nos currais e adquirem uma vida mais sedentária, mas nem por isso o parque pára, nos dias mais soalheiros, que serão poucos, preparam-se árvores para o ano seguinte, retirando-lhes ramos em demasia que apenas lhe retiram força, para que quando a primavera surja estejam prontas a florar.
No pico das montanhas surgem as primeiras neves que se podem contemplar no pico da Nevosa, o ponto mais alto do parque, onde muitos aventureiros com as devidas autorizações dadas pelas autoridades do parque se deslocam na busca de se interiorizar com a natureza, nós próprios já o fizemos e, acredite, é libertador.
Uma das coisas mais prazerosas de visitar o parque no Inverno é o silêncio gigante que sentimos, e sim leu bem, aqui o silêncio sente-se.
É como estar numa casa cheia de vida e não ouvir uma mosca, é aqui na nossa humilde opinião uma visita ao parque no Inverno faz todo o sentido, é quase como irmos ao encontro de nós mesmos e percebermos que fazemos parte de um mundo único e incrível.
Percebemos o quanto ínfimos somos em comparação com o poder da natureza e isso de certa forma enriquece-nos interiormente, prova irrefutável disso são algumas das cascatas acessíveis nesta altura como a cascata das Várzeas, também conhecida como Tahiti, onde das rochas que formam as suas laterais podemos sentir o tremendo poder das suas águas a passar a enormes velocidades, um espetáculo de sensações.
Nunca poderíamos tomar um partido no que toca à melhor altura do ano para visitar o Parque Nacional do Gerês, pois com a nossa constante presença no seu território, aprendemos que para cada altura há algo mágico a para ver e conhecer neste tesouro perdido no Norte de Portugal.
Por isso deixamos a si a tarefa de decidir em qual ou quais lá vai querer ir.
Uma coisa é certa, cá estaremos para o ajudar nesta bonita jornada!









