Top 5 Melhores Miradouros do Vale do Douro - Detours

Vir ao Douro, tem como resultado ser seu embaixador.

Quando o visitamos, tudo nos impressiona… seja a sua imponência, a sua beleza ou sua ancestralidade. É certo que iremos falar desta visita a muita gente, durante muito tempo.

A zona vinícola do Douro é na verdade a imagem viva de centenas de anos de trabalho árduo tirado das mãos das gerações sem fim que por ali habitaram.

Fazendo do seu dia a dia a lavoura nas vinhas, a construção de terraços, a colheita e preparação das uvas para se fazer aquele belo liquido aveludado, doce, denso, branco ou tinto, por vezes dourado, as variedades são tantas e tão boas que demoraria uma vida a prová-las a todas.

Mas engane-se quem pensar que se tratam de simples vinhas, pois, na sua simplicidade, carregam a alma de um povo que se predispôs a torná-las em maravilhas a céu aberto.

O Vale do Douro em toda a sua abrangência, 250 mil hectares, é um jardim em constante transformação neste mar de montanhas que acompanham o majestoso Rio Douro desde a fronteira com Espanha.

Aqui os terraços são feitos de paredes de xisto, que muito abunda na paisagem, cada montanha é uma escadaria de terraços, em cada terraço um jardim de videiras, ornamentados com oliveiras, medronheiros e castanheiros.

Mas nada seria destes terraços sem as gentes desta terra, a cada curva de rio lá nos aparece mais uma pequena aldeia cheia de personalidade e calma, soalheiras e cheias de árvores de frutos, aqui moram gentes que apesar de terem uma vida de trabalho duro, nem por isso tem uma alma endurecida.

São de uma gentileza que faz falta em muitas partes do mundo, sempre prontas a levantar-nos a mão aquando da nossa passagem ou dando um simples “Bom Dia” sem sequer nos conhecerem. É desta humildade e beleza que é feito este bonito quadro chamado Douro. E engana-se quem pensar que a paisagem é apenas e só as bonitas montanhas e terraços, pois sem o povo este bonito quadro não existiria.

Como tal, e de maneira a poderem contemplar algumas das melhores vistas do Vale do Douro, fizemos do nosso conhecimento um texto onde poderá encontrar os 5 melhores miradouros do Douro.

São Leonardo da Galafura

Este é um dos sítios mágicos do Douro.

Escondido num pequeno parque no topo de uma montanha, encontramos o maravilhoso miradouro do São Leonardo da Galafura. Inspiração para lendas e escritores, este é um sítio onde sentimos o “excesso de natureza” em todas as direções.

À chegada somos presenteados com um belo parque, com mesas de granito, sobreiros, medronheiros e até cedros. Ao percorrê-lo em direção ascendente até à pequena capela que nele foi edificada, as árvores como que a guardarem uma surpresa, nos vão “cegando” a vista até ao momento certo.

O momento em que passamos pela pequena capela e, como uma janela aberta numa manhã soalheira, com a visão ainda ofuscada pelo brilho do verde e amarelo pujante, nos deparamos com uma vista de quilometros e quilometros de extensão.
Chegámos, para prazer do nosso olhar, ao Miradouro de São Leonardo da Galafura.

Dos seus 640 metros de altitude, é um dos pontos mais altos desta parte da região Douro, como indica o marco geodésico lá presente. Daqui, com o clima a nosso favor, a vista corre desde o maciço montanhoso do Marão a oeste até às zonas mais interiores do vale para este.

Este é um dos sítios que realmente nos dá a ideia do quão imponente é esta zona vinícola e… acreditem ou não, estaremos apenas a contemplar uma ínfima parte do seu poderio. Poderio tal que serviu de inspiração para um candidato a prémio nobel da literatura, Miguel Torga que muitas vezes usou este sítio para se inspirar e escrever, como tal em homenagem escreveu um poema que pousa na parte traseira da Capela descrevendo este sítio como um “poema geológico” de beleza absoluta.

Bem-vindos ao Miradouro do São Leonardo da Galafura, onde a vista corre pelas montanhas que desaguam no sempre fiel Rio Douro.

São Salvador do Mundo

Este é um dos sítios mais ancestrais do Vale do Douro, sendo a sua ocupação datada de mais de 2000 mil anos antes de Cristo, mais concretamente no Neolítico Final.

Estas ocupações devem-se ao facto deste local ter uma posição estratégica, permitindo a observação de um vasto território, com acesso a recursos essenciais. Tendo o Rio Douro, que corre no fundo da montanha, bem como os seus recursos piscatórios, como argumento para a fixação de povos até então nómadas.

Aos povos pré-históricos seguiram-se os romanos. Aqui foram encontrados, na vertente sudeste do monte, vestígios de “Tegulae”, um tipo de telha feita de barro muito característica das construções romanas.

Embora não haja vestígios de edifícios datados desse período, acredita-se que tenham existido em abundância, tendo provavelmente sido desmontados por povos posteriores para a construção de outras estruturas. Além das telhas, foram também encontradas moedas de bronze, cunhadas com a cara do Imperador Constantino (352 B.C – 354 B.C), bem como duas inscrições em Latim datas da mesma época, uma na capela principal e a outra junto à Fraga do Diabo que por ali passa.

Correndo até tempos mais recentes, foi no Séc. XVI que este bonito monte ganhou as formas que hoje sustenta, por ordem da religiosidade tão vivida em Portugal, lá foram construídas um aglomerado de capelas, que são uma personificação do calvário de Jesus Cristo aquando da passagem na Via Dolorosa em Jerusalem, a caminho da crucificação.

Dentro das pequenas capelas existem esculturas representativas da Paixão de Cristo, sendo aqui comemorada uma das romarias mais conhecidas da região, a de São Salvador.

Como podemos notar trata-se de muito mais que um simples miradouro, pois encontra-se intimamente conectado com a história e crenças dos povos que por ali passaram, dando-nos hoje em dia um vislumbre das paisagens que muitos olhos correram durante milénios.

Sendo considerado um lugar abençoado, também lendas aqui foram criadas, como a que nos diz que se uma jovem rapariga se dirigir a São Salvador do Mundo e conseguir dar um nó a uma giesta com a mão esquerda, sem que esta se desenlace, irá ser afortunada com um casamento no espaço de um ano.

São estas histórias gravadas pelo tempo que dão o verdadeiro significado a estes sítios, que nos aquecem o coração e a vista.

Miradouro de Casal de Loivos

Este miradouro irá levar-nos a um dos sítios mais quentes da região do Douro, onde no tórrido Verão se fazem sentir temperaturas regularmente acima dos 35º graus celsius.

Falamos em concreto da região do Pinhão, pequena vila localizada no Cima Corgo, uma das 3 sub-regiões do Douro.

Com uma localização privilegiada devido à grande curva de rio onde se situa, é paragem obrigatória dos cruzeiros que durante 9 meses do ano percorrem o Rio Douro acima e abaixo fazendo as delícias dos afortunados que neles vão.

Para melhor se ver a riqueza paisagística e agrícola desta região, teremos de subir a colina por detrás da vila, até chegarmos à bonita aldeia de Casal de Loivos. Aí se pensa que em tempos longínquos existiu um castro, núcleo populacional fortificado, que em 1260 recebeu a Carta Foral, documento Real que oficializa a criação e administração de um núcleo populacional, por parte de D.Sancho I, segundo rei de Portugal.

Desde então, esta aldeia é como uma varanda sobre o Douro e dona de um dos seus fantásticos miradouros, o miradouro de Casal de Loivos.

À chegada somos presenteados com o serpentear do rio entre as montanhas e com o verde pujante da videiras que se encontram em todas as direções. É sem qualquer dúvida uma panóplia de sentidos, desde os aromas, aos sons calmos da região, tudo isto em perfeita harmonia de existência, criada pela natureza e ornamentada pelo Homem. Sente-se, respire e contemple!

Miradouro da Senhora de Lourdes

Na margem direita do Rio Douro, pouco quilômetros depois da vila do Pinhão, encontramos a aldeia de Nagozelo do Douro, uma pequena comunidade que se esconde por entre os vales.

Aqui nem sempre o povo viveu do vinho, pois outrora a terra era pouco fértil para a plantação de videiras e as que se plantavam pouca colheita davam. No entanto em falta da riqueza trazida pelo vinho e antes de São João da Pesqueira, sede de concelho, se tornar numa zona vinhateira os habitantes fizeram do azeite o seu sustento, prática que ainda hoje se denota importante pela presença de imensos olivais com oliveiras centenárias, mesmo com as inúmeras vinhas agora já lá existentes.

É sabido também que esta aldeia era abrigo para comunidades judaicas antigas, que fugiram das grandes centros urbanos e mais desenvolvidos, para zonas como Nagozelo, escondidas nos confins de Portugal onde a mão poderosa e impiedosa da igreja não os importunava com tanta facilidade.

Como esta muitas outras aldeias têm passado de influência judaica na região, sendo que os vestígios da sua presença se foram desvanecendo com a conversão de muitos ao cristianismo.

Contada a história é hora de irmos pasmar a vista ao Miradouro da Senhora de Lourdes, localizado a cerca de 355 metros de altitude. Para lá chegar terá que atravessar toda a aldeia e seguir o caminho de terra até ao topo da colina, chegados ao topo teremos a bonita Capela da Senhora de Lourdes de simples traços, mas nem por isso menos bonita.

Do cimo dos 355 metros de altitude e já no miradouro, o cenário é inimaginavelmente bonito, no lado norte bastante escarpado e íngreme, terá a vista para o Rio Douro, no lado Sul com declives mais suaves será testemunha da imensidão dos vinhedos da região.

Da multiculturalidade nasceu este belo lugar!

Miradouro de São João das Arribas

Este miradouro fará com que nos envolvamos nas zonas mais interiores do Vale do Douro, mais concretamente, na sub-região do Douro Internacional, onde se encontra o essencial Parque Natural do Douro Internacional.

A criação do parque justifica-se pelas inúmeras espécies de fauna e flora da região, como o grifo, a cegonha preta ou mesmo a víbora cornuda, temos ainda na flora o salgueiro, o choupo e os amieiros que podemos notar nas orlas do rio.

É no meio desta imensa natureza que se encontra o Lugar de Aldeia Nova, localizada na municipalidade de Miranda do Douro, onde ali perto terá o Castro de São João das Arribas, antiga povoação fortificada datada da Idade do Ferro por volta de 1200 A.C., que outrora utilizava esta localização alta e escarpada como posição defensiva das suas terras.

O Castro em si é composto por duas linhas de muralha e um torreão, que devido ao desuso e à falta de manutenção por centenas de anos se encontra parcialmente destruído. No entanto, é uma visita que nos fará viajar no tempo e perceber um pouco melhor como as comunidades antigas se organizavam.

Os vestígios encontrados nestas ruínas apresentam maioritariamente traços de romanização como por exemplo as epígrafes escritas em latim, o que nos faz acreditar que durante a romanização da Península Ibérica também este Castro foi retomado e reforçado pelos romanos.

Não muito longe do Castro, fica o emblemático Miradouro de São João das Arribas, que devido à sua altitude de 646 metros ostenta uma vista incrível sobre o Rio Douro e as suas “arribas”, escarpas originárias pela erosão provocada pela água, aqui o rio é relativamente mais estreito formando um desfiladeiro com contornos bastante abruptos e sinuosos.

Venha e veja com os seus olhos o que gerações sem fim puderam contemplar, sem qualquer dúvida que não vai sair indiferente a tamanha beleza e história!

 

Estes são 5 dos mais maravilhosos miradouros do Douro Vinhateiro, mas não se deixe enganar há muito mais a descobrir, mantenha-se ligado e venha descobrir connosco está linda região que do vinho, sangue e suor fez a sua riqueza.